Maximus: fotógrafos da ACRG falam de suas impressões sobre o festival

De olhos sempre atentos aos mínimos detalhes, da iluminação aos momentos únicos para se flagrar os melhores cliques, o fotógrafo da Associação Cultural Rock Guarulhos, Ronald Roberto Amadeu, o Tuco, acompanhou e fotografou o show da banda de hardcore extremo Oitão, a única banda nacional a se apresentar no palco principal do Maximus Festival, no último sábado (13).

Revelando detalhes que só quem esteve nos bastidores conhece, Tuco conta como foi um dos festivais mais esperados de todos, sob a ótica de quem captou singularidades que o olho humano comum não consegue enxergar.

“Chegamos ao Autódromo de Interlagos por volta das 9h para a passagem de som. A segurança do evento, tanto com os artistas quanto com o público, denotava uma organização impecável. No camarim, havia um lounge disponível aos músicos com mesas de jogos, cabeleireiro, barbearia, tatuador, bar, buffet com comidas. Nenhum ponto negativo a ser considerado, tudo bem organizado”.

O fotógrafo do Oitão

Oitão

“O Oitão subiu ao palco por volta das 12h50 e foi muito legal a receptividade do público com o show. Achei que o Autódromo estaria vazio por causa do horário, mas fiquei surpreso em ver um público bem bacana por ali. Ao fim do show, que durou por volta de 40min, acompanhei a banda de volta ao camarim para uma entrevista e por isso não consegui ver o show do Hatebreed.

Consegui ver o impecável show do Ghost e aproveitei para fazer alguns registros de imagens. O show é bem diferente; eles usam máscaras e o cenário tem toda uma ambientação visual característica. Me pareceu que o público também curtiu bastante.

Ghost

Nesse vai e vem entre o pit e o camarim, o backstage foi ficando cada vez mais interessante, principalmente depois que consegui conversar com o baterista e o baixista do Pennywise, e rolou até uma foto com eles em que aparecem os músicos do Ghost ao fundo, um registro bem legal.

À esquerda, Marcelo BA, baterista do Oitão, e à direita, Byron McMackin, baterista do Pennywise

O Rob Zombie foi outra banda que rendeu umas fotos exclusivas no backstage, eu era o único com uma câmera naquela área. O show, energético e direto, agradou muito a galera. Sem dúvida, foi a banda que mais deu atenção ao público dentre todas do Festival”.

Rob na troca de palco

Slayer: um show matador

“Corri para o pit para ver o Slayer e valeu a pena. O show foi matador, eu estava muito a fim de ver a banda, e eles presentearam os fãs com alguns clássicos da trajetória da banda, como “Seasons in the Abyss” e acredito que a mais esperada da noite, “Raining Blood”. Em meio aos outros fotógrafos, seguranças e bombeiros, percebi meio assustado uma grande quantidade de pessoas passando mal, que rapidamente eram levadas para a enfermaria. Depois do show, fiquei sabendo que fãs do Linkin Park tiveram alguns contratempos com os do Slayer, que estavam ali para extravasar.

Exclusiva: os caras do Slayer entrando no palco

Antes do show do Prophets of Rage, começa uma movimentação diferente no backstage e só realmente quem fazia parte da produção da banda tinha livre acesso para ir e vir dos camarins. Decidi então ir para outra área, onde pude assistir ao show com mais tranquilidade. Mesmo assim, vi os músicos da banda dando bastante atenção ao público, isso é muito positivo. O show do Prophets foi muito bom, muito energético, o som estava perfeito, principalmente para quem é fã de Rage, como eu, porque o repertório deles é composto por 90% de músicas do Rage Against the Machine com uma nova roupagem.

Prophets of Rage

Outro detalhe dos bastidores que chamou minha atenção era a quantidade de instrumentos musicais no backstage, parecia mesmo uma loja, uma Disneylândia para músicos. Havia vários praticáveis com baterias já montadas, que na hora do show eram levados até o palco, bastando apenas plugar os cabos dos instrumentos e microfones. Isso agilizou demais e fez com que não ocorressem atrasos. Foi interessante também ver toda a calibragem da parte técnica e de iluminação, detalhes que fizeram dos shows grandes espetáculos luminosos, principalmente com o cair da noite.

Assisti apenas ao início do show do Linkin Park porque a van que levaria o Oitão de volta ao hotel deixou o Autódromo de Interlagos por volta das 21h. Mesmo assim, foi uma experiência incrível, almoçar em meio ao pessoal do Dead Fish, Pennywise e do Oitão foram alguns dos momentos únicos do Festival”.

Linkin Park

Do outro lado do gradil

Outro fotógrafo da ACRG que curtiu o Maximus Festival foi Bruno Punany, mas dessa vez, sem câmera e lentes na mão, afinal, ele estava ali apenas para curtir os shows. Para Bruno, os alemães do Ghost fizeram uma apresentação muito precisa, com um som bastante redondo. Claro, a caracterização da banda é sem dúvida uma das coisas que mais chamam a atenção, além é claro, de uma ótima presença de palco.

Ghost

Bruno esperou 15 anos para ver o Rob Zombie e, apesar da grande maioria das pessoas não conhecerem o som da banda, os músicos conseguiram conquistar o público. “É difícil escolher um único músico da banda para olhar e prestar atenção, já que todos estão sempre pulando, fazendo poses e correndo”, brinca Bruno, destacando a evidente diversão e interação dos músicos Rob Zombie e John 5.

O Five Finger Death Punch também foi outro show que Bruno achou muito bom: “Muito forte, muita gente curtiu bastante e conhecia a banda”.

O show do Slayer não dispensa comentários: “Os caras parecem um trem atropelando tudo que aparece na frente deles, é pancada atrás de pancada, particularmente em “God Hate us All”, que foi a minha predileta”.

Bruno conta que no começo do show do Linkin Park rolaram algumas músicas que ele não gosta muito e algumas antigas. As versões mais lights que a banda deu a algumas músicas mostrou ao público que o som estava redondo, em perfeita harmonia com a diversão.

Muito embora houvesse ótimas opções de alimentação, bebidas, lojas e área com food trucks, Bruno observou que o Festival não estava tão organizado quanto a edição anterior: “No meio da arena mesmo tinha filas e filas para comida, bebida e banheiro. Mesmo assim, me diverti pra caramba, principalmente pelo Rob Zombie.

Fotos: Ronald Roberto Amadeu (Tuco)

Texto: Carla Maio