Sinaya no Guaru Extreme Fest: boas doses de energia, sincronia, precisão e técnica enquanto o álbum novo não vem

O novo videoclipe da banda de Death Metal Sinaya mal acaba de ser lançado e adivinhem?! Os fãs querem mais! Estrondosamente comentado nas redes sociais, a positiva repercussão do lançamento de ”Abyss to Death” na última quinta-feira (8) incendiou o ânimo de quem acompanha a trajetória da banda e torce para mais um grande álbum na coleção do metal nacional.

“A receptividade dos fãs está sendo muito legal, demos entrevistas para outros sites especializados em música, o pessoal tá elogiando muito, querendo o CD rápido, parece que todos estão curtindo demais”, vibra a vocalista Mylena Mônaco. A frontwoman da Sinaya explica que as integrantes da banda estão se preparando para os próximos passos, o lançamento do álbum “Maze of Madness”, previsto ainda para este ano, e a organização dos shows da turnê, uma intensa estratégia de divulgação para que a banda alcance o merecido reconhecimento pelo trabalho.

Guaru Extreme Fest

Energia surpreendente, sincronia, precisão e técnica. No palco do Guaru Extreme Fest, que aconteceu no último sábado (10) no Don Ramon Rock Bar, Mylena Monaco, Renata Petrelli, Cynthia Tsai e Bruna Melo nos brindam com um set especial, que recupera a trajetória da banda ao trazer músicas do EP de 2013, como “Obscure Raids”, “Pure Hate” e “Legion of Demons” e outras do trabalho de 2015, como “Buried by Terror”, que na época rendeu à banda seu primeiro videoclipe.

De lá para cá, o que era bom, ficou ainda melhor. A impressão de quem assiste boquiaberto ao show da Sinaya é que a química intensa entre as meninas encontrou meio de extravasar tamanha genialidade na forma de um Death Metal que aguça e potencializa a nossa inteligência. Ufa! Enquanto o álbum novo não vem, é recomendável doses generosas de Sinaya.

Como prometido, além da estreia da baixista Bruna Melo (Artaxe), o show contou também com músicas do esperadíssimo “Maze of Madness”, como “Life Against”, “Bath of Memories”, “Infernal Sight”, “Always Pain” e “Abyss to Death”, cujo videoclipe surpreendeu a todos e causou o aumento das batidas cardíacas dos fãs.

No Guaru Extreme Fest, elas dividiram o palco com a nata do underground, uma turma que não faz corpo mole quando o que está em jogo é o metal nacional, como Gestos Grosseiros, Reboco, Funeratus, Aeon Prime e Torrecial. Realizado pela Sanitariun Produções, o Guaru Extreme Fest também teve apoio da Associação Cultural Rock Guarulhos. O evento marcou ainda a divulgação do novo álbum da banda de Death Metal Funeratus, “Accept the Death”.

O que o labirinto da loucura nos reserva?

De acordo com a baixista Bruna Melo, os fãs da Sinaya vão notar em “Maze of Madness” uma evolução generalizada da banda, com músicas mais marcantes e bem trabalhadas em termos de composição: “No aspecto conceitual, os fãs podem esperar para o próximo álbum temas bastante reais, presentes no nosso dia a dia, abordados de formas diferentes, e não é só isso, temos em “Maze of Madness” uma nova temática. O EP de 2015, “Burried by Terror”, primou por algo mais lúdico; agora, esse álbum trata mais de verossimilhança, tem mais a ver com a questão da realidade, com aquilo que vemos, com aquilo que vivemos”, enfatiza a nova baixista, extremamente envolvida com o novo trabalho.

Ludicidade ou verossimilhança, o fato é que o tema da loucura é recorrente no universo temático da banda. Para a guitarrista Renata Petrelli, essa abordagem ficou evidente tanto no videoclipe de “Buried by Terror”, de 2015*, quanto agora, em ”Abyss to Death”: “Basicamente, há momentos que envolvem as integrantes da banda, pelos quais cada uma de nós acaba passando e isso acaba extravasando no momento de compor, e por serem temas do cotidiano de muitas pessoas, elas acabam se identificando com isso”, explica Renata. Para Mylena, o objetivo desse trabalho é mostrar essa realidade: “Às vezes, nos mesmas passamos por situações ou conhecemos alguém que enfrenta isso, é bom dividir, compartilhar nosso olhar sobre essa questão”.

Em “Maze of Madness” também é possível encontrar alguns dos males que abatem homens e mulheres, assolados pela vida moderna. Para a baterista Cynthia Tsai, é possível fazer uma relação com a incrível força que o metal  nos proporciona com a cura necessária para essa loucura: “Sim, a música tem o poder de reerguer as pessoas; não só pra quem toca um instrumento, mas também para quem escuta e curte. O importante é a pessoa lembrar de algo que a faça bem e mergulhar de cabeça, com certeza, as dores se amenizam”.

Quando questionadas sobre a deliciosa loucura de serem mulheres e ao mesmo tempo roqueiras, a guitarrista Renata Petrelli é quem responde: “Acho que ainda causa um certo impacto fazermos parte do cenário de rock/metal. Muitas pessoas acham que música mais pesada não orna com feminilidade ou qualquer coisa mais atribuída à mulher. Porém, tem também aqueles que percebem esse trabalho com admiração. Esse tipo de música também é muito ligado ao estilo de vida de cada uma de nós e quem convive intimamente conosco, já está acostumado.

Fotos: Cesar Franciolli