4 de julho: ativistas querem que a canção “Imagine”, de John Lennon, substitua o hino nacional americano

Para eles, a letra da música de “The Star-Spangled Banner”, de Francis Scott Key, possui versos racistas, além de ter sido composta por um supremacista branco.

Por Airton Daniel

Os protestos antirracistas que chacoalharam o mundo nos últimos dias podem mudar até o hino nacional dos Estados Unidos. Pelo menos, esse é o desejo de vários ativistas que veem versos racistas na música de “The Star-Spangled Banner”, composta por Francis Scott Key, também acusado de ser um supremacista branco. Os ativistas estão pedindo que o Tio Sam mude o seu hino tradicional pela canção “Imagine”, de John Lennon.

No hino nacional norte-americano refere-se a um “bando” de “mercenários e escravos” cujo “sangue lavou a poluição de seus passos sujos”. Segundo os historiadores, essas palavras estão ligadas aos negros que lutaram pelos britânicos.

A guerra de 1812 foi travada, em parte, pelas tentativas da Grã-Bretanha de impedir os Estados Unidos de expandir o comércio de escravos na América do Norte. Como a guerra ocorreu longe do solo inglês, os britânicos passaram a libertar escravos negros e depois contratá-los para lutar contra a América. O compositor, portanto, estava zombando dos negros e sendo extremamente racista.

Além disso, Key também era proprietário de escravos e racista. Dessa forma, alguns ativistas estão pressionando para que haja a mudança.

“Imagine” é o maior sucesso da carreira solo do ex-Beatle, e não é difícil entender o porquê. A música é tão inspiradora quanto divertida, grandiosa e afirmadora da vida. Desde o assassinato de George Floyd, os ativistas pressionam os corporativos a dar pequenos passos na direção certa.

Contexto histórico

Conhecendo John Lennon, basta uma pequena análise da letra de Imagine para perceber que a música traz, sim, muitas críticas. Ela questiona vários pontos, desde a organização social até o comportamento egoísta das pessoas, passando pelo capitalismo, o extremismo religioso e a xenofobia.

Foram justamente esses pontos que fizeram, muitas vezes, a música ser interpretada como um manifesto comunista.

Para entender melhor, vamos relembrar o contexto histórico da época: o mundo vivia em plena Guerra Fria, e qualquer coisa que pregasse igualdade e desapego de posses era imediatamente associada ao comunismo.

Precisamos lembrar, no entanto, que esses também são os ideais do movimento hippie que tanto influenciou a música dos anos 70. Ainda assim, as acusações de comunismo e anarquismo não foram o maior problema enfrentado pela música.

A letra de Imagine incomodou cristãos de diferentes religiões por supostamente contestar a ideia da salvação divina e a existência do paraíso e do inferno. Houve quem dissesse que John Lennon era satanista, e que Imagine prega a realização do inferno na terra.

No entanto, quando foi questionado sobre a letra, John ressaltou a mensagem positiva que ela traz, dizendo que Imagine é sobre algo que ainda não existe de verdade em lugar nenhum, e que seria sem dúvidas muito melhor do que o mundo que conhecemos. Por enquanto, esse mundo só existe se você imaginar.