Classe artística ainda espera ser visibilizada por governantes em meio à pandemia

Atividades culturais serão uma das últimas a voltar à normalidade; enquanto isso, artistas em geral precisam de recursos para sobreviver

Por Airton Daniel

A classe artística pede socorro. Representantes do setor, entre eles os músicos, são obrigados a admitir: se antes a realidade já era difícil, com a falta de aporte financeiro, a situação piorou muito por conta da pandemia do novo coronavírus.

Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2018, apontam que, em média, 5 milhões de pessoas trabalham no setor cultural no país, representando 5,7% das ocupações. Grande parte desses profissionais não tem renda fixa ou carteira assinada. São cerca de 44% de pessoas que desenvolvem suas atividades de forma autônoma ou informal.

“O impacto da pandemia no setor cultural, mas especificamente na vida dos artistas, é muito grande. Aqui na cidade de Guarulhos, eles se reúnem na internet para nos salvar do caos estabelecido em nossas mentes e almas. A arte, como venho dizendo, é o nosso abrigo”, garante Rute Barbosa, presidente da Associação Cultural Rock Guarulhos.

Ela acaba de lançar um abaixo-assinado com a finalidade de pressionar a Prefeitura de Guarulhos no sentido de implementar medidas visando socorrer o setor artístico da cidade. 

“As políticas públicas estabelecidas em Guarulhos sempre estiveram muito aquém das reais necessidades. Mas creio que nossa força, comprometimento, engajamento e coragem para lutar possam modificar esse cenário e atender esses artistas que estão trabalhando voluntária e virtualmente na cidade”, afirmou.

Gregorio Duvivier

Na última sexta-feira (15),  o episódio apresentado por ele no programa “Greg News”, que vai ao ar toda sexta, às 23h, pelo canal a cabo HBO Brasil, foi um autêntico tapa na cara (com luva de pelica) em quem não valoriza a cultura no Brasil. Intitulado “Leveza”, o quadro serviu de contraponto a entrevista vergonhosa que a pseuda secretária especial de Cultura Regina Duarte deu recentemente à CNN Brasil.

Por cerca de 30 minutos, Gregorio explicou didaticamente a importância do luto e do ato de se honrar quem morreu. E, ao contrário do que disse Regina Duarte, que não iria redigir um obituário, fez uma homenagem ao tributo de Rubem Fonseca, Flávio Migliaccio, Moraes Moreira e  Aldir Blanc, mortos recentemente.

Gregorio também destacou o papel fundamental da arte e da cultura em tempos de pandemia e criticou o descaso do Estado em relação ao setor.