Combater ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é o principal objetivo do Maio Laranja

A Associação Cultural Rock Guarulhos é sensível ao combate, pois crimes sexuais são denunciados em inúmeros contextos e, no universo do rock, não é diferente

Por Carla Maio

A chegada do mês de maio faz reacender a importância e urgência do debate sobre o combate ao abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. A Associação Cultural Rock Guarulhos é sensível a este tema delicado, que desperta medo e angústia nas vítimas e em suas famílias, pois crimes sexuais são denunciados em inúmeros contextos e, no universo do rock, não é diferente. Crimes envolvendo músicos e celebridades do mundo da música começaram a vir à tona com maior frequência, revelando compaixão pela dor das vítimas que expuseram suas histórias, e incentivando outras pessoas a falar sobre sua própria dor.

A brilhante e sempre arrebatadora carreira de Marilyn Manson parece contrastar com o enorme trauma que sofreu quando criança, ao ser abusado sexualmente. Um dos temperamentos mais difíceis do meio artístico, Axl Rose, vocalista da banda Guns’N’Roses, também foi vítima de abusos constantes por parte de seu pai.  No Brasil, o músico paulistano Renan Ricci, vocalista da banda SSD, transformou dor em luta e esperança em entrevista ao Portal de Notícias UOL, ao revelar que fora abusado pelo melhor amigo de seus pais quando tinha 12 anos. Para Renan, dormir é aterrorizante e a música, aquilo que ainda o faz viver.

Pete Townshend, guitarrista e líder do grupo The Who, nunca escondeu o abuso que sofrera quando criança. Dessa experiência, surgiram canções como “Glow Girl” (1968), “Rael” (1967) e “A Quick One While He’s Away” (1966), mas foi em “Fiddle About”, faixa da ópera rock Tommy, lançada em 1969, que o tema do abuso que Townshend sofreu assumiu contornos de denúncia, já que muitos casos acontecem no ambiente familiar.

Quando o ídolo é o algoz

Outros casos que envolvem músicos também chocaram a opinião pública pela frieza e crueldade dos algozes. Ian Watkins, vocalista da banda Lostprophets, foi condenado em 2013 a 35 anos de prisão por abusar de crianças, uma delas, um bebê de apenas meses. Na Inglaterra, Gary Glitter, cantor e compositor de glam rock, foi para cadeia por abuso infantil e pedofilia continuadas vezes. Entre 1975 e 1977, Roy Harper foi acusado de abusar nove vezes de uma menina de 12 anos. Em 1970, o guitarrista do Led Zeppelin, Jimmy Page, se relacionou durante três anos com Lori Madoxx, na época com 14 anos.

Em 2003, Pete Townshend volta à cena, dessa vez durante uma mega investigação da polícia britânica sobre pornografia infantil e pedofilia, acusado de acessar conteúdo com imagens de abuso de crianças em 1999 (ele não baixou nenhuma imagem na internet). Em sua defesa, o roqueiro  alegou que fez isso para fins de pesquisa.

Como diz o músico Renan Ricci, “quem passa por abuso tem que vencer uma guerra por dia. Todos os dias”. Todos os anos, quando chega o mês de maio, o jovem de 28 anos utiliza suas redes sociais para que a luta ganhe força e voz. Em postagem recente, realizada no último dia 1 de maio, em seu perfil no Facebook, Renan lembra da repercussão positiva da entrevista que concedeu ao Portal de Notícias UOL. “conseguiu atingir muitas pessoas, recebi mensagens de todo o canto do Brasil. Pessoas de todas as idades que se encorajaram a denunciar e se abrir depois de anos de sofrimento… eu não consigo expressar o quão gratificante isso foi, quanta paz trouxe para o meu espírito!”.

Na postagem, Renan faz ainda um grande apelo: “utilizo minhas redes sociais para que jamais caia no esquecimento, para que atinja cada vez mais pessoas, para que formemos uma corrente do bem de denúncia contra esses psicopatas que vivem escondidos em nossa sociedade. Esquecer é permitir, lembrar é combater… NÃO SEJA CONIVENTE, denuncie qualquer ato de exploração sexual, disque 100 (denúncia anônima)”.

Para ler a entrevista de Renan Ricci no UOL, clique aqui:

Maio Laranja

Combater ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é o principal objetivo do Maio Laranja, campanha marcada, ao longo de todo o mês, por atividades educativas e preventivas, e que reúne a participação de todos na assistência às vítimas e suas famílias.