Heaven and Hell do Black Sabbath comemora 40 anos de lançamento

Por Cesar Franciolli

Hoje, 25 de abril, o disco Heaven and Hell do Black Sabbath comemora 40 anos do seu lançamento!. Heaven And Hell é o 9º álbum de estúdio do Black Sabbath, lançado em 24 de abril de 1980, e o primeiro a contar com Ronnie James Dio assumindo os vocais no lugar de Ozzy Osbourne. O ano de 1980 foi um dos mais prolíficos na história do heavy metal, e Heaven And Hell engrossa a lista sendo considerado um dos melhores álbuns da banda além de um dos melhores discos de heavy metal de toda a década de 80.

O recomeço do Black Sabbath com seu novo vocalista era cercado por muitas incertezas. Dio tinha acabado de brigar com Ritchie Blackmore e estava fora do Rainbow a pouco tempo.

Havia muito receio de todas as partes, Sabbath e Dio, sobre como seria o desenrolar de suas histórias.

Até então, Dio cantava basicamente sobre arco-íris, dragões e fadas no Rainbow, e como se daria essa transição para temas mais obscuros, demoníacos e sobrenaturais com o Black Sabbath?

O próprio Sabbath havia se perdido em manter o próprio estilo, como visto em “Technical Ecstasy” de 1976 e “Never Say Die” de 1978, os dois últimos da era Ozzy, e pretendia voltar ao heavy metal que os levaram ao reinado do estilo nesse reinicio da banda.

A versão padrão de Heaven and Hell conta com 8 faixas, tendo uma de suas mais clássicas formações, com Tony Iommi na guitarra, Geezer Butler no baixo, Bill Ward na bateria e Ronnie James Dio nos vocais.

A faixa 1, “Neon Knights”, é a abertura esperada para um disco de metal dessa magnitude, e serve para mostrar a que vieram. Peso, técnica e velocidade. Vindo a se tornar imediatamente um dos hinos da banda.

Na faixa 2, “Children of the Sea”, com sua introdução lenta que aparentemente só está lá pra te enganar. Logo a música assume a verdadeira nova identidade do atual Sabbath e mostra novamente todo o potencial da banda e o que são capazes de entregar com Dio nos vocais. Contrastando entre seqüências mais melódicas e harmoniosas, trechos com algo parecido com os primórdios do doom metal, riffs e solos afiados e um refrão que é um soco na cara.

“Lady Evil” na 3ª faixa é uma música com um refrão mais “chiclete”, talvez um pouco mais comercial (afinal, eles precisavam tocar nas rádios também). Riffs que grudam e vocal totalmente acima da média com extensões que só o Hobbit dos verdes vales onde os dragões voam e as espadas reluzem conseguia alcançar.

Na faixa 4, “Heaven and Hell”, que dá o título do álbum, fala sobre ego e os problemas que geralmente o acompanham.

Que na vida tudo é uma ilusão, um teatro, e somos apenas um ator nela. Um sonho com opiniões e significados que você coloca em tudo. Que desempenhamos papéis e pensamos que estamos absolutamente certos sobre nossas opiniões.

Que nada é permanente, e você está buscando coisas apenas por vaidade. Na música, “quando você caminha pelos corredores dourados, pensa que está no céu. Mas quando as paredes desmoronam, você volta ao seu inferno, tentando segurar o ouro que caiu, é seu céu e inferno. Seu idiota!”

(And when you walk in golden halls, you get to keep the gold that falls, it’s heaven and hell, oh no. Fool, fool!)

A 5ª música, “Wishing Well”, é uma música boa, de fato. Mas acaba ficando quase apagada diante do que já foi ouvido até aqui.

Com um refrão “exótico”, não é que ela não mereça atenção, mas chega a ser fraca perto de todo o resto.

A 6ª, “Die Young”, certamente concorreu pela abertura do disco. “Porrada nas oreia”, talvez seja a música com o vocal mais bem aplicado pelo Dio em toda sua trajetória com a banda. Riffs marcantes, e um dos melhores solos da era Dio. Outra excelente letra.

Na 7ª, com “Walk Away”, se ouvir só os primeiros 10 segundos vai pensar ser algo da era “Turbo” do Judas Priest. Outra música ofuscada pelo brilhantismo do resto do disco. Apenas boa.

Na 8ª e última, “Lonely s the Word”, provavelmente é a música “que deixaram o Dio colocar no disco”, muito mais hard, com uma atmosfera que difere do restante do disco, principalmente na primeira parte do solo de Iommy.

Heaven and Hell entrou para a história da música como um dos maiores discos do heavy metal, e para o Black Sabbath como um ressurgimento que provaria que sua existência não estava atrelada ao Ozzy nos vocais.