Setembro Amarelo: campanha promove prevenção ao suicídio

Ian Curtis, Kurt Cobain, Chris Cornell, Chester Bennington, Champignon e Chorão. O que esses nomes têm em comum? Além de grandes ícones da minha e da sua juventude, caras cujas obras marcaram nossas gerações com poesias, melodias, ideias e atitudes irreverentes, essas são apenas algumas das personalidades do mundo do rock que se suicidaram.

Isso mesmo, meus camaradas. Suicídio! Muitos deles tomaram comprimidos; outros se jogaram na linha do trem; alguns abusaram de drogas e tiveram uma overdose; há ainda aqueles que se empanturraram de álcool e se afogaram no próprio vômito e teve ainda aqueles que apontaram uma arma para a cabeça e simplesmente apertaram o gatilho, deixando para trás o sucesso, a família, os amigos e muitas carreiras no auge do sucesso.

Na grande maioria dos casos, um histórico de depressão velado ganha espectros monstruosos, uma doença que nem sempre se manifesta fisicamente e que, muitas vezes, sequer é diagnosticada por aqueles que estão mais próximos.

Falar sobre depressão é uma espécie de tabu. Numa sociedade que prima por mentes e corpos perfeitos, que te esgota enquanto ser humano, que te faz consumir cada vez mais e te cobra felicidade em tempo integral, sobra pouco espaço para se falar sobre essa doença silenciosa. A maioria das pessoas foge do assunto como o diabo da cruz e, por medo ou desconhecimento, não percebem os sinais de que aquela pessoa próxima está com ideias suicidas. No show business, principalmente, em que artistas são tratados como mera mercadoria por empresários e gravadoras sanguessugas, esse problema se agrava.

Pelos números oficiais, o suicídio é responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo. No Brasil, 32 pessoas morrem por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer. Quando alguém se suicida, celebridade ou não, surgem inúmeros comentários nas redes sociais, apontando a atitude como fraqueza e covardia. De uma vez por todas, apenas parem! A culpa, também nesse caso, nunca é da vitima.

A esperança é o fato de que, segundo a Organização Mundial da Saúde, 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos. Contudo, é necessário que a pessoa busque ajuda e atenção de quem está à sua volta. Por isso, é necessário que estejamos sempre atentos àqueles que fazem parte do nosso convívio.

A você, que sofre calado ou calada com essa terrível doença chamada depressão, saiba que não está sozinho. Aos que estão dispostos a ajudar, que a Campanha Setembro Amarelo possa mais que conscientizar sobre a prevenção ao suicídio; que ela possa nos tornar verdadeiramente humanos e atentos aos cuidados com o outro.