Guarulhenses contam suas experiências no Lollapalooza 2017

O Lollapalooza 2017 acabou com um público recorde de 190 mil pessoas em dois dias de evento. Teve quem foi ver bandas de rock e teve quem foi ver outros estilos de artistas convidados para o evento que deveria ser o “Woodstock brasileiro” e, claro, teve guarulhense no meio deste povão.

A Associação Cultural Rock Guarulhos (ACRG) conversou com alguns dos nossos ”nativos” que foram ao evento para saber se valeu a pena sair daqui para ir ao Autódromo de Interlagos, Zona Sul de São Paulo.

No público do festival tinha gente que não curtia rock, gente que curtia e gente que entende do assunto porque também é músico, como é o caso do guitarrista Douglas Cruz, da Vitrola Mágica, que foi ao evento no sábado, primeiro dia de muito som. Cruz viu o Metallica se apresentar pela sexta vez e disse que este show foi diferente.  “Destaca-se pelas músicas novas do disco ‘Hardwired To Self Destruct’. Como sempre a banda é impecável na execução, com destaque para o baterista Lars Ulrich, que sofreu críticas no último Rock in Rio pela falta de esmero, mas que desta vez foi afiadíssimo, juntamente na cozinha com o baixista Robert Trujilo, tocando desta vez o tema instrumental Anesthesia, composto pelo lendário baixista da primeira formação, Cliff Burton. Em seguida veio Whiplash, conforme no disco ‘Kill ‘Em All’. Eu fui na certeza de ver um show com muitas músicas novas que perderiam em execução para temas tocados há mais de trinta anos, mas não foi o caso. As músicas mudam, mas a precisão se manteve”, disse.

Douglas Cruz, guitarrista da Vitrola Mágica, gostou do show do Metallica, mas odiou as filas de quermesse

Segundo Cruz, o festival não foi perfeito. “Ocorreram várias falhas na organização. As pulseiras travavam no sistema rendendo filas de até uma hora para adquirir créditos para comprar bebidas ou qualquer item das barracas. Parecia as antigas quermesses, só que agora com roqueiros de franjinha. No mais o Metallica salvou a noite. Metallica 10 Lollapalooser 0. Perry Farrel e T4F destrataram fans brasileiros. Quem foi para ouvir música e assistir os shows sentiu. Quem foi para postar foto nas redes sociais e se sair bem na ‘descolância’ nem percebeu”, concluiu o músico.

Já os amigos Pedro Madrid e Carlos Henrique Santos foram nos dois dias e afirmaram que valeu muito ir ao Lollapalooza 2017, mas cansativo. “Teve uma banda melhor que a outra, mas foi cansativo, muita fila para comprar as comidas e bebidas, mas os shows foram sensacionais”, disse Madrid. “Cage The Elephant foi muito surpreendente. Sinceramente, não conhecia a banda, conhecia uma música, mas não ligava ao nome da banda. Duran Duran também me surpreendeu, já é uma banda das antigas e no ao vivo as músicas ficaram melhor”, concluiu.

“Um evento que reuniu todas as tribos. Cheguei a ver crianças de colo e idosos circulando tranquilamente pelo autódromo. Recomendo para todo mundo. Rendeu ótimos momentos e boas risadas, além de me possibilitar conhecer novas bandas, como a Catfish and the Bottleman, que me surpreendeu. Sem dúvida as bandas The Strokes e Metallica foram as mais esperadas e ovacionadas dos dois dias de evento”, disse Carlos Henrique. A dupla estava com mais três amigos.

Os amigos Carlos Henrique e Pedro Madrid gostaram do evento e querem voltar em 2018, na próxima edição

É claro que também não podia faltar a opinião feminina. A jornalista Nathália Bergocce disse que nunca tinha participado do festival em outros anos, mas que quando viu o Lineup ficou bem animada. “Eu sou fá de várias bandas que participaram. Eu queria ir nos dois dias, mas o preço do ingresso estava muito caro e eu só consegui comprar o de domingo, porém na semana do evento eu fui sorteada em um concurso da Chevrolet e ganhei a pulseira de sábado com tudo pago. No sábado, eu cheguei no autódromo e fiquei um tempo no lounge do evento que estava repleto de personalidades e comidinhas gostosas. Depois assisti os shows do Criolo, Tove Lo e The Chainsmokers. Não tive muitos problemas com filas, banheiros e transporte porque estava tudo incluso na promoção que ganhei”, contou.

Nathália disse ainda que o o domingo foi mais “perrengue”, por conta do transporte público. “A linha amarela estava parcialmente fechada e foi mais complicado de chegar. Dentro do evento eu achei tudo de muito fácil acesso, a pulseira com cashless ajudou muito na hora de comprar. Eu assisti os shows do Two Door Cinema Club que era uma das atrações que eu mais aguardava. Depois, eu vi o The Weeknd que sem dúvidas foi o melhor show que eu vi no festival. Por último assisti o The Strokes, foi um show bem sem ritmo por conta das inúmeras pausas. Para voltar foi bem complicado e eu não consegui pegar ônibus de volta para Guarulhos. No geral, o festival foi uma experiência incrível para mim que gosta de música e espero voltar no próximo ano”, concluiu.

A sortuda Nathália Bergocce foi nos dias. No sábado, ela ganhou da chevrolet o ingresso com tudo pago

Já o fotógrafo Beto Martins está mais acostumado com eventos de música eletrônica, mas disse que a experiência do Lollapalooza 2017 foi muito melhor do que esperava. “Fui a princípio para ver o cantor The Weeknd e Duran Duran, mas acabei me simpatizando por Two Doors Cinema Club. O Lolapalooza vem trazendo muitas bandas alternativas e pelo que percebi tem agradado muitas pessoas que nem imaginavam que essas bandas existiam, e algumas há anos. A distância entre os palcos eram bem grandes, mas valia a pena porque cada um aguardava a banda preferida sem sair do local”, concluiu Martins.

Beto Martins (à esq.) e Caique foram para ver o artista The Weeknd, no domingo

Texto: Eurico Cruz

Fotos: Arquivo Pessoal dos entrevistados