Elvis me salvou!

Nunca fui fã de Elvis Presley.

Hoje em dia parece impensável dizer isso, mas em algum momento foi verdade. Sempre ouvia aquelas músicas nas manhãs de domingo e comentava com a minha mãe: “Aff, mãe, que música chata o pai fica ouvindo…”. A resposta sempre era: “Filha, você ouve o que quer a semana toda e ninguém se incomoda. Deixa seu pai escutar as músicas dele em paz um dia”. Conselhos de mãe são os melhores, não é mesmo?

No caso, o que eu ficava ouvindo nada tem a ver com meu repertório atual. Eu tinha 11, 12 anos, poxa, relevem! Ouvia o que minhas amigas da época gostavam, de pagode a Backstreet Boys (o fim dos anos 90 foi dureza), passando por boys e girls bands brasileiras cujo nome certamente só eu vou lembrar, melhor nem mencionar. Antes que alguém julgue ou comece a desistir de ler, não tenho vergonha nenhuma de ter sido tão eclética, pois se hoje ouço de Indie a Death Metal Finlandês é porque meu ouvido foi doutrinado a ser diferente 😉

Voltando ao Elvis… Em uma aula de Inglês na 5 série a professora solicitou um trabalho: monte uma apresentação biográfica sobre um ídolo americano. E eu tipo: oi? Parece loucura, mas com 11 anos de idade você não tem muita noção de ídolos, ainda mais de outro país. Mas, chegando em casa, comecei a pensar e lembrar do que meu pai já tinha me ensinado. Quais filmes foram sucesso na infância dele, artistas, músicos; claro que os nomes fugiam, mas lembrei de um músico que não saía da vitrola. Sim, o próprio Elvis. Lembrei que meu pai havia comprado um cd de músicas country dele recentemente, e fui dar uma olhada. Quando abro o encarte me deparo com a biografia inteirinha do moço! Só que em inglês. Alegria de pobre, né…

Desafio lançado, peguei meu inglês macarrônico, meu dicionário que já tinha passado por duas gerações (valeu, irmãs, ele me acompanhou durante todo período escolar) e fui à luta. Conforme lia sobre a vida de Elvis, fui me encantando mais ainda com a determinação desse caipira de péssima dicção e sotaque único, que com o pouco dinheiro que tinha insistiu por uma chance de gravar seu primeiro disco, só pra dar de presente para a mãe dele. A partir de então, o caminho não foi fácil, como qualquer músico sabe, mas ele foi persistente e se tornou, simplesmente, O Rei!

 

Quando passei toda a história dele pro papel, senti como se precisasse dar mais atenção ao seu som, pois ele se dedicou tanto àquilo e merecia o devido respeito: “Tá bom, vai, deixa eu ouvir esse negócio”, pensei. E depois de dois discos e três CDs tudo o que eu queria era entender mais o rock’n’roll!

Desde então a ordem dos fatos se mistura, mas comecei a perceber que eu já gostava de rock, só não queria aceitar. Talvez pelo lado social, de não ter nenhuma amiga que ouvisse também – encontrei uma, certo tempo depois, que me apresentou um DVD maravilhoso chamado Live in Texas, do Linkin Park, mas essa é outra homenagem, para outro momento. Esse estilo, o rock, além de MPB, Bossa Nova, Tropicália, Jazz, Blues, entre outros, era tudo o que rolava nas manhãs de domingo lá em casa, com meu pai se perdendo em meio aos discos, enquanto minha mãe fazia uma bela macarronada (La Famiglia rsrs).

Elvis salvou minha vida. Abriu portas para um mundo vasto e com tantas histórias e personagens que não me canso de conhecer. E 40 anos após sua morte que parou o mundo, sempre que ouço sua voz entoar as primeiras notas de qualquer canção, meu coração se pergunta: por que ele se foi tão cedo?