“Se a cidade parar”, do Carbônica, ganha arranjo especial para o Rock em Concerto

Em um show online, com transmissão ao vivo, a banda se apresentará ao lado da Orquestra Jovem; evento faz parte das comemorações do aniversário de 460 anos da cidade.  

Por Airton Daniel

No próximo dia 8 de dezembro, a partir das 20h, o Carbônica sobe ao palco do Teatro Adamastor juntamente com a Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos para apresentar um novo arranjo da canção “Se a cidade parar”, em mais uma edição do Rock em Concerto. No total, cinco bandas autorais da cidade participarão do evento, com composições que receberam arranjos orquestrais e cuja execução será em um concerto online, com transmissão ao vivo, como parte das comemorações pelo aniversário de 460 anos de Guarulhos.  

“Se a cidade parar é uma música muito importante para história do Carbônica. Ela está presente em nosso primeiro EP e entrou em nosso disco mais recente, o álbum completo lançado em 2019, que leva o nome da banda. A letra traz aquelas questões que são particulares a cada um que vive no caos de uma grande cidade, mas que acabam fazendo parte de um sentimento coletivo”, afirmou o guitarrista e vocalista da banda, Will Barbosa.

Para ele, a letra narra a história de uma pessoa cansada do caos nosso de cada dia e que acaba se suicidando ao se jogar nos trilhos do metrô, na estação da Sé. “A parte instrumental e melódica da canção, é cheia de nuances sonoras e trabalhamos a parte rítmica fundindo o rock com células de drum´n bass”, revelou o músico.

Por conta desses contornos emocionais, Will disse que escolheu “Se a cidade parar” para participar do Projeto Rock em Concerto. Assim, a apresentação terá uma formação inédita, com a junção do power trio formado por baixo, bateria e guitarra com a elegância da orquestra sinfônica.

“É a realização de um sonho, estamos muito animados e muito felizes com o convite da Associação Cultural Rock Guarulhos para realização desse show, ainda mais comemorando o aniversário da nossa cidade no palco do Teatro Adamastor”, destacou Will.

Clipe

Will explica que o Carbônica encabeça um coletivo de artistas em Guarulhos chamado projeto CLAM. Dessa forma, se conecta e tem uma troca constante com outros artistas da cidade, inclusive de outras linguagens. E, nessa caminhada, a banda se encontrou com o cineasta André Okuma que, ao conhecer a canção “Se a cidade parar”, decidiu, juntamente com Juliano Lourenço e Mau Júnior, dirigir um curta metragem, onde o roteiro é a letra da música. O curta contou com a produção do Coletivo 308.

“Okuma tem bastante influência do cinema marginal, que nós da banda gostamos muito. Ele trouxe essa estética para o filme, cuja história tem um final inesperado e que vale a pena ser conferido no canal do YouTube da banda”, pontuou Will.

A intenção de realizar um trabalho conjunto entre o cineasta e a banda já vinha amadurecendo há muito tempo, mas só foi concretizada em 2015, com o clipe de “Se a cidade parar” que, na verdade, se transformou em um curta-metragem, com aspectos de videoclipe. “Esse foi um trabalho que eu considero muito ousado, pois o roteiro tinha prédio pegando fogo, protestos de rua, polícia batendo em manifestantes. E como tivemos de fazer um trabalho sem apoio do poder público, sem o auxílio de empresários, fizemos uma coisa independente, com truques de câmera. Enfim, uma ação de guerrilha mesmo”, considerou André Okuma.

O cineasta contou que, na oportunidade, o Brasil passava por um momento político esquisito, turbulento e de radicalização, que culminou com o impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Assim, essa tensão que podia ser sentida no ar e que era o prenúncio do golpe que ocorreu no ano seguinte, se refletiu na obra.

“A música fala de uma pessoa que se suicida no metrô e trava toda a cidade e, no clipe, a gente pensou em associar o fato com as tensões socias que o país vivia naquele momento. Colocamos um artista de rua sendo humilhado no trânsito, um trabalhador explorado pelo patrão e transformamos tudo isso numa catarse de todos. Pensamos a própria música como uma catarse coletiva”, definiu Okuma.

Quanto ao Projeto Rock em Concerto, Okuma enalteceu a iniciativa. Principalmente, pelo fato de priorizar o trabalho autoral que, no caso da música rock, sempre valorizou as bandas covers. Outro ponto que merece destaque, a seu ver, é combinação de linguagens, entre o Carbônica e a Orquestra Jovem Municipal, que considera ser um patrimônio da cidade.

“Acho interessante fomentar essa ideia de diversidade entre coisas que parecem opostas, contrárias. Esse encontro da música clássica, com outra mais agressiva, que ao invés de gerar tensões, gera harmonia. É como se o projeto dissesse como é importante a diversidade, principalmente nesse momento de polarização como o atual”, finalizou Okuma.

Além de Will Barbosa, o elenco de “Se a cidade parar” conta com a participação do baixista Vini, Leandro Sousa, Juliano Lourenço, Rogério Nogueira, Laís Trajano, Luiz Filho, Matheus Fiuza, Alan Faustino, Cesar Nakashima, Franklin Jones, Reiko Otake, Amauri Eugênio Jr, entre outros,